domingo, junho 03, 2012

Talvez o resto

                Talvez não um ano atrás. Não no princípio, não naquela primeira primavera. Talvez não naqueles primeiros sorrisos e lágrimas e sentimentos que começavam a aprender a se arrastar, engatinhar. Talvez não fosse possível, então. Talvez não passasse de uma fase. Talvez não durasse, e acabasse sendo nada, ou quase nada. Talvez sequer tivesse existido.
                Mas aquele dia foi o primeiro dia do primeiro ano de outros anos. Aquela foi a primeira, mas não a ultima primavera, não a única. Depois daqueles sorrisos todos, muitos mais estavam por vir, e todas as lágrimas que ainda prometiam rolar desde então foram e são capazes de encher todo um rio, quiçá um oceano.
                Aquele primeiro dia, naquela quase primavera, naqueles quase sentimentos formados e existentes, aquilo foi o princípio de algo que tomaria proporções estranhas e avassaladoras. Aquilo foi só o princípio. Aquele sentimento que se arrastava e engatinhava vagarosamente de um lado pro outro hoje anda em passos firmes e decididos. Passos que não vacilam e nem cogitam parar ou retroceder.
                Aquela fase foi só o princípio do resto. E o resto não acaba, não vira nada nunca, não diminui, não evapora, não some. O resto é mais do que resto. O resto é tudo. O resto engloba cada noite mal dormida, cada sorriso mal contido, cada gargalhada de quem conhece o outro até do avesso. O resto define o todo. Define, mas não limita. E existe. É tão certo quanto o nascer do sol de amanhã.
                Talvez, há um ano, o início, as primaveras, os sorrisos e lágrimas engatinhando não passassem de um borrão incerto e errante. Mas não hoje. Hoje eles são certeza. Hoje eles acordam, sorriem e dizem “bom dia” como quem sempre soube que ia crescer e se fortalecer. Talvez um ano atrás fosse tudo muito vago, mas hoje é tudo muito certo. Talvez, há um ano, sequer cogitasse ser amor. Mas hoje, decididamente, é.

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