sexta-feira, abril 27, 2012

O sujeitinho


De repente vem um sujeitinho e fala: “Ame! Se abre pro amor! Deixa rolar!”. Como se fosse fácil. Como se fosse tirar doce da boca de criança. Geralmente esse tipo de conselho é seguido de perto pelo “seja leve”. Seja leve, pelo amor de Deus, s-e-j-a l-e-v-e. Tá.
De repente vem aquele sujeitinho que te vê de longe, não sabe o que você pensa, não sabe o que você sente, não sabe o que existe dentro de você, e descarrega uma centena de regrinhas que você precisa seguir pra amar, pra ser leve, pra conseguir deixar rolar. Como se fosse fácil.
Alguém tem que avisar ao sujeitinho que pra quem não sabe ser leve, um cutucãozinho toma as proporções de um tiro de bazuca. Que quem não sabe ser pela metade sofre dobrado, triplicado. Alguém conta pra ele que dá um medo absurdo de tentar deixar rolar, porque assim a gente ainda corre o risco de simplesmente não rolar. E ai?
E se ser leve não for o suficiente? E se o “deixar rolar” acabe enrolando, se embolando, complicando, e no final não role nada? Quem é que paga o prejuízo? Quem é que paga a conta do terapeuta?
A verdade é que pra ser leve alguém precisa tirar o peso todo que quem não é leve carrega nas costas. Tem que tirar todo o medo, toda a repressão, toda a insegurança. Quem é que consegue ajudar com isso? Amar é fácil, e dos conselhos do sujeito, esse é o único que dá pra seguir. Amar é fácil! "Ser leve" é que são elas.

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